Caos nos trens expõe falhas da concessão e coloca Governo de SP sob pressão por respostas imediatas
Foto: Reprodução A resposta da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) veio somente depois que milhares de passageiros viveram dias de verdadeiro caos nas linhas 11-Coral e 12-Safira. Após uma sequência de falhas graves, que culminou com usuários abandonando trens em chamas e caminhando pelos trilhos sob escolta da Polícia Militar para escapar do perigo, o órgão regulador anunciou medidas para cobrar explicações e exigir providências da concessionária Trivia Trens. Para quem depende do trem para trabalhar, estudar ou voltar para casa, a reação chega após dias de transtornos que colocaram em xeque a segurança e a eficiência do sistema.
A Artesp notificou oficialmente a empresa, determinou a apresentação de um plano emergencial para corrigir as falhas e informou que intensificará a fiscalização sobre a operação. O órgão também afirmou que poderá aplicar as penalidades previstas no contrato de concessão caso sejam constatados descumprimentos das obrigações assumidas pela concessionária.
Os episódios reacenderam críticas ao modelo adotado pelo Governo do Estado ao transferir a operação das linhas para a iniciativa privada. A Trivia Trens, empresa que recentemente venceu o leilão de concessão do Lote Alto Tietê, assumiu a responsabilidade pelas linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e pelo Serviço Expresso Aeroporto, uma malha ferroviária que transporta diariamente centenas de milhares de passageiros.
O que se viu, porém, nos primeiros dias de operação, foi uma sucessão de falhas que expôs trabalhadores, estudantes e idosos a situações extremas. Passageiros ficaram presos dentro de composições, enfrentaram longas paralisações, superlotação e, no episódio mais grave, precisaram abandonar um trem após um princípio de incêndio, caminhando pelos trilhos para escapar da situação de risco.
A população, que paga tarifa e depende do transporte público para garantir seu sustento, cobra mais do que notificações e promessas. Espera respostas concretas, investimentos imediatos e segurança. Para quem acorda de madrugada para trabalhar, perder horas no trajeto ou colocar a própria vida em risco não pode ser tratado como um transtorno comum da operação.
A concessionária é controlada pelo Grupo Comporte, pertencente à família Constantino, e tem como presidente (CEO) Cláudio Andrade, que assumiu o comando executivo da empresa em julho de 2026. A diretoria de operações está sob responsabilidade de Paulo Ferreira, encarregado da supervisão das vias, da frota e da gestão de crises operacionais.
Embora a responsabilidade direta pela operação seja da Trivia Trens, a fiscalização do contrato é atribuição do Governo do Estado, por meio da Artesp. Diante da gravidade dos acontecimentos, cresce a pressão para que o governo deixe de apenas reagir às falhas e passe a garantir que a concessionária cumpra rigorosamente os padrões de segurança e qualidade previstos no contrato. Afinal, quem utiliza o transporte ferroviário todos os dias não espera discursos nem troca de responsabilidades. A população exige uma solução definitiva para um serviço essencial que, nos últimos dias, transformou o trajeto de milhares de trabalhadores em uma experiência marcada pelo medo, pela insegurança e pela incerteza.







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