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Mogi das Cruzes,10/08/2026

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“Guardiã do Teatro Vasques”: árvore centenária vira símbolo de memória, resistência e mobilização em Mogi

Divulgação
“Guardiã do Teatro Vasques”: árvore centenária vira símbolo de memória, resistência e mobilização em Mogi Foto: Divulgação
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Uma
árvore que durante décadas foi testemunha silenciosa da história de Mogi das
Cruzes agora também tem sua história registrada em versos, crônicas e
reflexões. A Ficus centenária localizada ao lado do Teatro Vasques, que
sofreu um ataque e mobilizou moradores e ambientalistas, tornou-se inspiração
para um movimento que uniu meio ambiente, cultura e memória.

O
episódio deu origem ao e-book “Árvore Guardiã do Teatro”, uma coletânea
organizada por integrantes do movimento em defesa da árvore e que reúne textos
de diversos autores. A publicação nasceu da indignação provocada pela violência
contra a Ficus,- incendiada supostamente por um morador em situação de rua no dia 6 de junho -, mas se transformou num gesto de amor à natureza e um convite para que
a sociedade passe a enxergar as árvores como parte de sua própria história.

A ideia
de transformar a indignação em palavras ganhou força com a participação de
escritores e integrantes do Coletivo Di’Versos, entre outros
colaboradores. O resultado é uma coletânea que apresenta diferentes olhares
sobre a árvore: como patrimônio ambiental, abrigo, testemunha do tempo, símbolo
de resistência e até como personagem capaz de contar a própria história.

Em um dos
textos, a escritora Miriam Amélia descreve a Ficus como uma “testemunha
silenciosa” e destaca seu papel como abrigo para pássaros e insetos, além da
sombra e do frescor que oferece à cidade.

Sheila Ferreira Kuno, uma das articuladoras da
mobilização, chama a árvore de guardiã da memória e da cultura. Em seu poema,
ressalta que sua permanência representa mais do que a preservação de um
exemplar da natureza: significa manter viva parte da memória mogiana. Outras
participações de destaque é a do arquiteto e urbanista Paulo Sérgio
Pinhal
, que trouxe para a discussão uma perspectiva que amplia o
conceito de patrimônio histórico. Em seu texto, intitulado “A Natureza
Também é Patrimônio Histórico”
, Pinhal defende que uma árvore
centenária deve ser compreendida como um verdadeiro monumento vivo. Sua
reflexão chama atenção para o fato de que o patrimônio não está somente em
prédios, monumentos e construções, mas também nas árvores que acompanharam o crescimento
urbano.

Pinhal destaca ainda que o tempo necessário para
recuperar aquilo que é destruído em poucos minutos não pode ser ignorado. Uma
nova muda pode ser plantada, mas não consegue reproduzir imediatamente as
décadas de história, a sombra, a biodiversidade e as memórias associadas a uma
árvore centenária.

Uma árvore que viu a cidade passar

O e-book
apresenta a Ficus como uma verdadeira sentinela do tempo. Durante
décadas, ela esteve ao lado do Teatro Vasques, acompanhando o movimento de
pessoas que frequentam o espaço cultural, desde as filas antes dos espetáculos
até encontros e momentos de convivência.

“Mais do
que uma árvore, uma sentinela do tempo”, descreve um dos textos da publicação,
ressaltando que a copa da Ficus acolheu expectativas, reencontros e emoções de
gerações ligadas à arte e à cultura de Mogi.

Para os
autores, suas raízes estão ligadas não apenas ao solo, mas também à memória da
cidade. Por isso, a agressão sofrida pela Ficus passou a ser vista como uma
agressão contra um patrimônio que pertence à coletividade.

Da indignação à literatura

A
mobilização também ganhou as ruas. Em 26 de julho, um sarau reuniu
poetas, educadores ambientais, representantes do poder público, moradores e
integrantes de movimentos culturais ao redor da árvore.

O
encontro contou com poesias, músicas e manifestações de apoio à preservação da
Ficus. A presença de representantes da Secretaria Municipal de Clima e Meio
Ambiente reforçou o diálogo entre sociedade civil e poder público sobre a
conservação do patrimônio arbóreo.

A
programação terminou com uma ciranda conduzida pela jovem Beatriz Novaes,
que, ao lado da avó, Miriam Amélia, escreveu uma homenagem à árvore. O momento
reforçou o caráter intergeracional da mobilização: crianças, adultos e idosos
reunidos em torno de uma mesma causa.

A árvore como voz

Entre os
textos da coletânea está também “O Silêncio que Grita: A Lição de uma Árvore
Centenária”, de Caio Wilmers Manço, que amplia a discussão para além da
preservação ambiental. O texto propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece
invisível aos olhos da sociedade e sobre a necessidade de transformar a
violência sofrida pela árvore em aprendizado coletivo.

Em outra
poesia, a autora Gilce Maria dá voz à própria Ficus, que se apresenta
como centenária, enfraquecida, mas ainda resistente. O poema termina com uma
pergunta que resume o sentimento provocado pelo episódio: “Ainda estou aqui!
ATÉ QUANDO?”

Um legado para Mogi

Mais do
que registrar um episódio de vandalismo, “Árvore Guardiã do Teatro”
transforma a Ficus em personagem da história de Mogi das Cruzes.

A
coletânea reúne diferentes formas de expressão para defender uma mesma ideia:
preservar uma árvore centenária é também preservar memória, cultura,
biodiversidade e qualidade de vida.

O livro
nasceu de um momento de indignação, mas escolheu a literatura como caminho. E
talvez esteja aí sua principal mensagem: diante de uma agressão, a cidade
decidiu responder com poesia, mobilização e memória.











































 




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