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Mogi das Cruzes,26/09/2026

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Projeto cria política nacional de valorização de costureiras

camara.leg.br
Projeto cria política nacional de valorização de costureiras
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Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Saúde - coronavírus - Covid-19 pandemia prevenção contágio contaminação costura costureiros (produção de máscaras na Fábrica Social do Distrito Federal)

Proposta permite priorizar empreendimentos liderados por mulheres, mães solo, pessoas negras, dentre outros grupos


O Projeto de Lei 2987/26 cria a Política Nacional de Valorização, Qualificação, Formalização e Proteção Produtiva das Costureiras, Costureiros e Trabalhadores da Confecção. A iniciativa deverá considerar gênero, raça, renda, idade, deficiência, território e condição migratória. A proposta prioriza grupos mais expostos à informalidade, à baixa remuneração, à falta de proteção previdenciária e à precarização do trabalho.


O texto em análise na Câmara dos Deputados é de autoria do deputado Marcos Tavares (PDT-RJ).


Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) citados pelo autor, a cadeia têxtil e de confecção movimentou R$ 203,9 bilhões em 2023. O setor também criou 30,7 mil postos de trabalho entre janeiro e outubro de 2024, sendo 14,2 mil na indústria têxtil e 16,5 mil na confecção.


Marcos Tavares afirmou que a política oferece meios para a formalização e melhoria de renda sem criminalizar pequenos empreendedores ou trabalhadores autônomos.


“A proposição não se limita a reconhecer simbolicamente a categoria: cria diretrizes concretas para qualificação, formalização, crédito produtivo, compras públicas, rastreabilidade social, sustentabilidade e combate à precarização”, reforçou o deputado em justificativa


Crédito


Entre as medidas, o texto prevê que bancos públicos federais criem linhas de crédito orientado para costureiras, costureiros, microempreendedores individuais, cooperativas, associações produtivas, empreendimentos familiares e pequenas unidades de confecção.


O financiamento poderá ser usado para comprar, substituir ou fazer a manutenção de máquinas de costura e de corte, além de equipamentos de acabamento e de proteção, mobiliário ergonômico, matéria-prima, aviamentos, tecnologia, digitalização e capital de giro.


O projeto também permite priorizar empreendimentos liderados por mulheres, mães solo, pessoas negras, pessoas com deficiência, idosos, migrantes e trabalhadores de baixa renda, entre outros grupos.


Compras públicas


Nas contratações públicas de uniformes escolares e hospitalares, vestuário profissional, enxovais, rouparia institucional, artefatos têxteis e produtos relacionados, os órgãos públicos poderão adotar:



  • critérios de sustentabilidade social, ambiental e econômica compatíveis com o objeto da contratação;

  • planejamento que considere a capacidade produtiva local e regional;

  • divisão da contratação em itens ou lotes, quando for técnica e economicamente viável, para ampliar a participação de microempreendedores individuais, microempresas, empresas de pequeno porte, cooperativas e associações produtivas;

  • exigências de regularidade trabalhista e previdenciária, além da proibição de trabalho infantil, forçado ou análogo à escravidão;

  • estímulo à subcontratação de pequenos empreendimentos locais, desde que legal e transparente e que sejam mantidas a responsabilidade da empresa contratada, a rastreabilidade da cadeia e o cumprimento da legislação; e

  • controle de qualidade, prazos adequados e pagamento regular, além de medidas para evitar preços inviáveis que possam levar à precarização da mão de obra.


Combate à precarização


A proposta também cria as seguintes diretrizes para prevenir e combater crimes na cadeia de confecção:



  • prevenir e combater trabalho infantil e análogo à escravidão;

  • combater intermediação abusiva de mão de obra e fraudes trabalhistas;

  • prevenir jornadas excessivas e metas incompatíveis com a saúde;

  • combater a retenção de documentos dos trabalhadores;

  • enfrentar endividamento coercitivo ou abusivo;

  • combater condições degradantes de trabalho;

  • proteger migrantes, imigrantes, refugiados e outros trabalhadores em situação de vulnerabilidade;

  • orientar pequenos negócios sobre regularização, contratos, saúde e segurança no trabalho;

  • integrar ações de desenvolvimento, orientação e fiscalização para combater irregularidades sem impedir a atividade econômica regular.


O texto também prevê mecanismos de rastreabilidade social. Esses mecanismos poderão incluir a identificação de fornecedores e unidades produtivas, a comprovação de regularidade trabalhista e previdenciária, canais de denúncia, auditorias e medidas corretivas. As exigências deverão levar em conta o tamanho e a capacidade econômica dos pequenos empreendimentos.


Saúde e segurança


A política deverá considerar os riscos relacionados à atividade de costura, como problemas ergonômicos, posturais, visuais, respiratórios, mecânicos e psicossociais.


O texto cita, entre outros fatores, longos períodos sentados, movimentos repetitivos, iluminação inadequada, ruído, poeira têxtil, pressão por produtividade e uso de máquinas de corte e costura.


Próximos passos


O projeto será analisado de forma conclusiva pelas comissões de Indústria, Comércio e Serviços; de Trabalho e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.


Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei




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